Morte de professora: Médico não integra lista como cirurgião plástico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e nem do CRM

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AMAPA.NET – O nome do médico Sergio Augusto dos Anjos Brito, responsável pela cirurgia plástica da professora Elza Pimenta Carvalho, não integra a lista de médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e nem a lista do Conselho Regional de Medicina do Amapá (CRM/AP), na especialidade cirurgia plástica.

Elza morreu na quarta-feira (26) na UTI do Hospital da Unimed Macapá, após complicações decorrentes de uma cirurgia plástica realizada na Clinica Dr. Brito, para colocação de próteses de silicone nos seios. Segundo informações da família da professora ao site Seles Nafes, a cirurgia foi realizada pelo médico Sergio Augusto dos Anjos Brito, especialista em otorrinolaringologia.

Levantamento realizado pelo AMAPÁ.NET revelou porém que nem a clínica e nem o profissional médico possuem registro na área de cirurgia plástica e nem na área de otorrinolaringologia junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado, porém, ainda assim, a clinica possui uma página na internet com anúncios sobre tratamentos e procedimentos em estética e plástica, e em otorrinolaringologia . A referida página na rede social faz ainda anúncios sobre Medicina Estética, especialidade inexistente na área médica.

Além da falta de registro, outra situação deverá complicar ainda mais a situação dos responsáveis pela clinica e o médico. Ainda de acordo com as informações obtidas pelo AMAPA.NET, o centro cirúrgico da clínica, onde a professora foi operada, estava interditado pelo CRM/AP desde o último dia 30 de março.

O caso vem sendo investigado pela delegada Elza Nogueira e, segundo as informações já obtidas polícia a professora morreu em decorrência de intoxicação por medicamentos. A professora era lotada em uma escola estadual localizada no município de Vitória do Jari, na região Sul do Amapá.

Cirurgias Clandestinas

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o implante de silicone nos seios é a segunda operação mais comum entre os brasileiros, atrás apenas da lipoaspiração. As estatísticas demonstram que, por ano, são feitas no país 90 mil cirurgias de lipo, número que se refere apenas a operações realizadas por cirurgiões plásticos habilitados.

É possível que haja um percentual ainda maior na clandestinidade. A revista Veja publicou que a cirurgia feita por médicos sem especialização contribuiria com mais 90 mil, proximadamente, ou seja, mais de 180 mil por ano.
Para o cirurgião plástico de São Paulo, Adriano Peduti, é importante orientar a população sobre o assunto.

“Essa realidade apresentada, em que praticamente metade dos procedimentos é feita por médicos não habilitados, é um risco, porque a maioria das complicações e mortes está associada a estes procedimentos clandestinos, feitos por médicos não registrados na SBCP”, esclarece.

Para quem deseja fazer uma operação sem riscos, o cirurgião destaca algumas regras importantes. “O primeiro passo é buscar referências do profissional, que podem ser através de indicação de amigas. A internet também é um veículo muito usado ou o próprio site da SBCP, que consta se o médico pertence à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica”, alerta Peduti.

Outro fator importante é estar ciente se o médico opera em ambiente adequado. “Um hospital que conte com centro cirúrgico instrumentado, com UTI para responder a tempo a eventual complicação. É recomendável evitar cirurgias em clínicas e estar atento a um bom pré-operatório, com a realização de exames. Uma série de cuidados que, quando seguidos, tornam a cirurgia plástica extremamente segura”, frisa.

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